UM POUCO DE INFÂNCIAS E GIBIS

 

Contrariando o patriotismo geral confesso que sempre preferi os heróis de Walt Disney aos de Maurício de Sousa. Cebolinha? Mônica? Que nada. Sempre preferi as aventuras do trambiqueiro Zé Carioca, do esperto Mickey e do sovina Tio Patinhas. A minha infância foi povoada de revista em quadrinhos. Muitos dos meus amigos colecionavam o produto nacional, o que dificultava o intercâmbio de trocar revistinhas. Sempre achei as histórias da turma da Mônica previsíveis, ingênuas demais e sem cenário. Meu negócio era acompanhar o Mickey em uma de suas cruzadas contra o Bafo de Onça ou o Tio Patinhas, procurando livrar sua Caixa Forte dos terríveis irmãos metralhas.

Quem nunca leu pilhas de revistas em quadrinhos quando criança merece sua infância de volta. Desconfie de um adulto que nunca leu gibi.

Estado norte-americano quer multar roupa íntima à mostra

          Sabe aquela calça de cintura baixa que quando você usa deixa a calcinha à mostra e uma legião de curiosos com os olhos bem atentos? Pois é. O audacioso vestuário está com os dias contados, no conservador estado da Virgínia, nos Estados Unidos. O deputado Algie T. Howell é um inimigo declarado dessa invenção da costuraria  moderna. O insensível parlamentar é o autor do projeto, também conhecido como a “lei da calça caída”. Votada pela Câmara dos Deputados do Estado da Virgínia, a matéria foi aprovada por 60 votos a 34.

         Os parlamentares justificam a medida, dizendo que o hábito, muito popular nos Estados Unidos, estava tornando a sociedade “grosseira”. Se o senado estadual também aprovar a lei, pessoas que estiverem mostrando suas cuecas ou calcinhas podem ser multadas em US$ 50. Não ficou explicado se a medida se estenderá a quem não é adepto do uso de peças íntimas. 

         Utópico, o autor dessas mal traçadas linhas sonha com o dia em que calcinhas e cuecas de todo o mundo serão respeitadas, não precisando mais – tal qual as mulheres iranianas – viver se escondendo sob a ultrajante ditadura dos panos.

 

PÃOZINHO NOSSO DE CADA DIA

Goianésia é conhecida por uma particularidade: é talvez a única cidade do Brasil que ao chegar a uma padaria o cliente tem a necessidade de fazer a fria pergunta: “Tem pão?”. É comum às 09h00 de qualquer dia, em qualquer padaria, o cliente ter que se contentar com rosquinhas ou comer a bolacha que o diabo amassou. Em Goianésia, o cliente que reclama tem sempre razão.

 

CARNAVAL DE RUA DE GOIANÉSIA, O MISTÉRIO

Até hoje me pergunto o porquê das pessoas de Goiânia, Brasília e Anápolis infestarem Goianésia durante o período de carnaval. A cidade não trabalhou um marketing para isso, não contrata nenhuma banda de nome, não dispõe de nenhum rio, cachoeira ou outro presente da natureza, não têm uma rede hoteleira nem de restaurantes satisfatória. Suspeito que em algum momento, todos tramaram ao mesmo tempo e resolveram vir à Goianésia, talvez por uma visão profética ou uma combinação numerólogica. Pior para mim, que odeio carnaval e seus afluentes.

 

 

LAN-HOUSES DE GOIANÉSIA

Há uma determinação do juizado da Infância e Juventude de Goianésia, que proíbe o funcionamento de lan-houses localizadas a pelo menos 200 metros de uma escola. Se for cumprida essa determinação, é preciso fechar quase todos os estabelecimentos do gênero. Para quem observar, há lan-houses perto dos seguintes colégios: Jales Machado, José Carrilho, Laurentino Martins, Escola da Igreja Presbiteriana, Monte Moriá, Salvador Leite, entre outros que me fogem agora da memória. Isso sem contar que o próprio Telecentro fica a poucos metros da Escola Luiz Gonzaga Sobrinho.

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