RESUMO (ESCOLAR) DO FILME “EM NOME DE DEUS

 

Obra-prima do diretor Clive Donner, o filme retrata a interferência da Igreja Católica sobre os costumes da sociedade. A historia se passa na França do século XII, totalmente sob o jugo da religião.

Tendo como pano de fundo uma sociedade, que se divide entre o sagrado e o profano, mas encobrindo o mundano com os mantos da hipocrisia. Sacerdotes corruptos, que negociam objetos comuns como sacros. Verdades pré-estabelecidas e blindadas do questionamento faziam parte da vida de uma Paris, ainda agropastoril.

É nesse ambiente que Heloise, jovem questionadora e ex-noviça, que mora com seu tio cônego, conhece Abelard, jovem filósofo, tido como um dos grandes professores de teologia de Paris. Abelard tem o apoio dos cardeais, que vêem nele uma grande promessa para ministrar o conhecimento e tem também o entusiasmo de seus alunos, que o veneram pelo idealismo, sabedoria e forma de expor e debater as verdades bíblicas.

Ficando responsável pela educação de Heloise, Abelard logo se encanta com a beleza e a aguçada inteligência da moça. Ela já havia se encantado com o mestre desde o início. Juntos travam debates interessantes, sempre pondo em dúvida as inabaláveis verdades religiosas. Abelard, como todos os professores de teologia da época, tem um voto de castidade, como se fosse um padre. Mantém essa castidade como se fosse um troféu raro. Mas diante da exuberância de Heloise, ele deixa cair por terra esse fardo. Entrega-se de corpo e alma ao amor carnal.

Para Heloise, o amor deles fala mais alto e não se sente culpada. O mesmo não sucede a Abelard, que se sente atormentado e portador de graves pecados. Ele tenta resistir e sufocar esse sentimento, mas graças à força de Heloise, decidem deixar que o amor os consuma.

O tio cônego de Heloise descobre o romance, surpreendendo o casal na cama. A partir daí, um verdadeiro calvário passa a fazer parte da vida dos dois amantes. Enfrentam todas as adversidades possíveis para viver o seu amor. Heloise descobre-se grávida. Abelard a envia ate sua irmã para que possa ter a criança em paz.

O cônego manda castrar Abelard. A partir daí, instala-se no coração do professor o sentimento de justiça feita. Para ele, Deus o castigou pelo seu pecado. Entrega-se a Deus e vai tomar conta de uma comunidade. Heloise torna-se freira. Continuam se amando, embora não consigam viver esse amor. Acabam juntos, uma amor diferente, não-carnal.

Abelard e Heloise juntos e com o filho, é um sopapo, um solavanco sutil e agressivo ao mesmo tempo na hipócrita sociedade francesa, tão apegada a valores e ética. Mesmo que isso custe a felicidade, a satisfação e a vida de pessoas, que nada querem, alem de viver, acertando e errando, mas não fazendo da existência humana um constante tribunal. Polêmico e chocante, o filme focaliza as cenas fortes, talvez para que o expectador, assustado possa ensaiar questionamentos, ou muito assustado, classificar como aberração. Impossível é ficar indiferente e sem torcer por qualquer um dos lados: a dor, fé absolutista ou o do amor, mesmo que rebelde.

 

O homem sem celular

 

Desconfio que sou uma pedra no caminho da estatística sobre telefonia móvel no Brasil. Os jornais anunciam com festa que o dia das mães impulsionou as vendas de celulares no mês de maio.  O ótimo desempenho nas vendas, além de deixar as mamães e os vendedores mais felizes, fez o país contabilizar agora 105,09 milhões de telefones móveis.

Confesso que continuo primitivo, resolvendo talvez por birra, não aderir ao uso do celular. Já faço parte de uma exilada minoria. Talvez o erro esteja na pouca criatividade dos comerciais de telefones celulares na televisão. Talvez o erro esteja na minha necessidade de não ouvir vozes me incomodando nos meus momentos de homem à paisana. Acredito que sou um inimigo da telefonia, um contraventor social e tecnológico. Antes que os desavisados arrisquem um palpite, adianto que a minha heróica resistência nada tem a ver com romantismo. Tem a ver com aversão a algo. Talvez eu me torne no único cidadão brasileiro a não ter celular no ano 2011, por exemplo. Possivelmente me tornarei alvo solitário das campanhas publicitárias da Vivo, da Tim ou de coisa que os valha. Cientistas poderão estudar meu comportamento, catalogando-me como um elo entre o homem primitivo e o pós-homem. Estarei pronto para ser esmiuçado, para ser estudado e explorado pela mídia.

De todas as pessoas que conheço sou a única a não ter celular. Vai ver eu sou um homem do passado, que foi lançado por acidente no admirável mundo novo. Vai ver eu sou um chato que não quer ser incomodado no seu refúgio secreto do ócio.

 

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